Em São Paulo, por causa do engarrafamento constante e das distâncias, essa é uma viagem que pode levar até três horas, só contando o trecho de ida. E, para muita gente, é uma aventura bastante perigosa.
Todos os dias, milhões de brasileiros põem a vida em risco por absoluta falta de opção. São pessoas que viajam em pé, em ônibus cheios. Em caso de acidente, esses passageiros não têm como se proteger.
O ônibus é, de longe, o transporte mais usado pelos brasileiros pra ir de casa para o trabalho, ou para a escola. Em São Paulo, por causa do engarrafamento constante e das distâncias, essa é uma viagem que pode levar até três horas, só contando o trecho de ida. E, para muita gente, é uma aventura bastante perigosa.
Aos 83 anos, o aposentado Hélio da Cunha viaja empoleirado, sem proteção e sem preocupação: “Se não bater em nada não tem perigo nenhum”, afirma.
O menino vai na mesma situação: sem banco, sem apoio, sem imaginar que, em uma freada brusca, a 50 km/h, o passageiro poderia ser arremessado com uma força equivalente ao dobro do peso dele.
Passageiro acostumado sabe que a freada chega de repente: “O motorista brecou muito rápido e o pessoal que tava lá em cima caiu, teve uma mulher que machucou o braço, foi parar lá embaixo”, conta um passageiro.
Por falta de opção, o cantinho na frente do ônibus acaba sendo um dos lugares preferidos, porque é mais fácil chegar. O problema é que as pessoas ficam a uma mínima distância do vidro e qualquer freada, não tem nada protegendo.
“Eu não posso impedir elas de ficar aqui, vou arrumar confusão se for falar”, conta o motorista.
Tem sempre alguém na ‘primeira classe do perigo’. Os 15 mil ônibus de São Paulo são menos de 1% do total de veículos que roda pela cidade, só que aparecem em 12% dos acidentes com mortes.
“A velocidade teria que ser menor, respeitando uma distancia e freando devagar até parar totalmente”, afirma a especialista Patrícia Gejer.
É preciso mão firme e, se o cansaço deixar, olhos abertos. A especialista afirma que, sem congestionamento, os acidentes seriam mais graves: “Quanto maior a velocidade, mais difícil da gente se equilibrar”, explica Patrícia.
A experiência do cobrador mostra que ônibus lotado até ajuda alguns passageiros: “Quando vai cheio assim a pessoa não cai, um segura no outro. Quando está cheio é mais seguro”, brinca o cobrador Johnny Bezerra.
fonte: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/10/brasileiros-colocam-vida-em-risco-nos-transportes-publicos.html
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