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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Número de pessoas internadas após incêndio aumenta para 143



Número de feridos passou de 121 na terça para os 143 desta quarta.
Outras 235 pessoas morreram após incêndio em boate de Santa Maria.

Iara LemosDo G1, em Santa Maria
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Vítima do incêndio na boate Kiss chega a Porto Alegre de helicóptero para receber tratamento neste domingo (27) (Foto: Camila Domingues/Reuters)São 143 pessoas em atendimento em hospitais
do RS (Foto: Camila Domingues/Reuters)
O número de feridos na tragédia em Santa Maria que precisaram de internação aumentou nas últimas horas, segundo a Força Nacional do SUS. Na manhã desta quarta-feira (30), 143 pessoas estão internadas em hospitais de Santa Maria e de Porto Alegre. Na terça-feira, o número era de 121 internados. O incêndio que atingiu a boate Kiss na madrugada de domingo (27) matou 235 pessoas.
De acordo com Neio Pereira, diretor técnico do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), o aumento do número de internações se dá principalmente pelos sintomas da pneumonite química, que atingiu os jovens que entraram em contato com a fumaça tóxica do incêndio.
"É algo comum de acontecer alguns dias depois do incêndio. As pessoas começam a sentir falta de ar, dificuldade para respirar. Muitos que chegam em busca de atendimento precisam ficar internados", disse Pereira , que falou em nome da Força Nacional do SUS.
Pereira e a coordenadora regional de Saúde, Ilse Mello, afirmam que o total de pessoas internadas estado de saúde considerado grave segue em 75. Dos 81 pacientes internados em Santa Maria, 33 estão respirando com a ajuda de ventilação mecânica. Dos 62 internados em Porto Alegre, 57 estão em ventilação mecânica.
O diretor técnico do GHC ainda destacou que algumas pessoas ainda podem apresentar o chamado estresse traumático. Uma equipe de profissionais de saúde do SUS e de voluntários esta sendo destinada apenas para auxiliar nestes casos, prestando apoio psicológico para as vitimas e familiares. "O estresse causado pelo trauma demorar até 72 horas para aparecer. As pessoas começam a entrar em depressão pelo luto, o que é normal", disse.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ainda está em Santa Maria, onde logo no começo desta quarta teve uma série de reuniões com a coordenação da Forca Nacional do SUS. Ainda nesta quarta, o ministro deve ir a Porto Alegre, onde fará uma visita no hospitais onde estão internadas as vitimas.
A ultima vitima fatal foi registrada na noite de terça-feira (29). O jovem Gustavo Marques Gonçalves, que estava internado no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, não resistiu aos ferimentos e teve morte e encefálica confirmada.
Investigação da tragédia
O delegado regional de Santa Maria (RS), Marcelo Arigony, afirmou em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (29) que a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador mais barato, próprio para ambientes abertos e que não deveria ser usado em local fechado, durante o show na boate Kiss, em Santa Maria (RS). O equipamento teria provocado o incêndio que deixou 235 mortos na madrugada de domingo (27).
O delegado Marcelo Arigony elencou uma série de elementos que contribuíram para que a tragédia ocorresse, como falhas na iluminação de emergência, espuma inadequada para recobrir a danceteria, além de extintores irregulares.
Segundo Arigony, o extintor de incêndio que estava na boate e falhou quando os seguranças tentaram apagar o fogo pode ser falsificado.“Segundo testemunhas e provas preliminares, os extintores podem ser falsos, pois não estavam funcionando, não funcionavam direito”, disse.
Incêndio e prisões
O incêndio começou por volta das 2h30 de domingo (27), durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que utilizou sinalizadores para uma espécie de show pirotécnico.
Segundo relatos de testemunhas, faíscas de um equipamento conhecido como "sputnik" atingiram a espuma do isolamento acústico, no teto da boate, dando início ao fogo, que se espalhou pelo estabelecimento em poucos minutos.
Quatro foram presos nesta segunda-feira após a tragédia: o dono da boate, Elissandro Calegaro Spohr, o sócio, Mauro Hofffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que fazia um show pirotécnico que teria dado início ao incêndio, segundo informações do delegado Sandro Meinerz, responsável pelo caso.
Em depoimento, Spohr afirmou à Polícia Civil que sabia que o alvará de funcionamento estava vencido, mas que já havia pedido a renovação.
O advogado Mario Cipriani, que representa Mauro Hoffmann, afirmou que o cliente "não participava da administração da Kiss".
Na manhã de segunda, outros dois integrantes da banda falaram sobre a tragédia. "Da minha parte, eu parei de tocar", disse o guitarrista Rodrigo Lemos Martins, de 32 anos.
Por meio dos seus advogados, a boate Kiss se pronunciou sobre a tragédia, classificando como "uma "fatalidade".
A presidente Dilma Rousseff visitou Santa Maria no domingo e decretou luto oficial de três dias. O comandante do Corpo de Bombeiros da região central do Rio Grande do Sul, tenente-coronel Moisés da Silva Fuch, disse que o alvará de funcionamento da boate estava vencido desde agosto do ano passado.
Também na tarde de terça, outras informações importantes sobre o caso foram divulgadas:
1- Segundo a polícia, a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador mais barato, impróprio para ambientes fechados;
2- há diversos indicativos de que a boate não deveria estar funcionando;
3- a Prefeitura de Santa Maria se eximiu de responsabilidade pelo incêndio;
4- o chefe do Estado Maior do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros, major Gerson Pereira, recebeu uma ligação do governo do Estado e disse que foi "orientado a não falar com a imprensa".
5-  empresa entrega o gravador e diz que não foram feitas imagens do incêndio.
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Infográfico: tragédia de Santa Maria - 29/01 (Foto: Editoria de Arte/G1)

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Ciclistas fazem 'pedalada' em memória às vítimas de incêndio



Grupo formou círculo e fez oração em frente à boate Kiss, em Santa Maria.
Isolada, rua de casa noturna se transformou em memorial improvisado.

Márcio LuizDo G1, em Santa Maria (RS)
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Ciclistas formaram círculo e fizeram oração (Foto: Márcio Luiz/G1)Ciclistas formaram círculo e fizeram oração (Foto: Márcio Luiz/G1)
Enquanto tentam retomar a rotina, os moradores de Santa Maria não param de homenagear as vítimas do incêndio na boate Kiss. No final da tarde de terça-feira (29), um grupo de ciclistas promoveu uma pedalada pelas ruas da cidade vestidos de branco.
O ato foi organizado pelo Facebook. O grupo partiu do bairro Camobi e foi recebendo mais pessoas ao longo do trajeto até chegar à Rua dos Andradas, no centro da cidade, onde fica a casa noturna. No local, os ciclistas formaram um círculo e fizeram uma oração.
“Nosso grupo faz essa pedalada periodicamente. Vários componentes apresentaram a proposta dessa homenagem e a maioria aceitou. É uma maneira de lembrá-los”, disse Leonardo Severo da Costa, mestrando na Universidade Federal de Santa Maria e que conhecia alguns dos mortos.
Ainda isolada pela Brigada Militar, a boate Kiss se transformou em uma espécie de memorial improvisado. Flores são deixadas na calçada e cartazes com fotos e frases dos mortos são pendurados na fachada. A qualquer hora do dia, o movimento é grande. São pessoas que vão ali prestar o seu tributo ou curiosos que param para ver o local da tragédia.
Também na tarde desta terça, outras informações importantes sobre o caso foram divulgadas:
1- Segundo a polícia, a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador mais barato, impróprio para ambientes fechados;
2- há diversos indicativos de que a boate não deveria estar funcionando;
3- a Prefeitura de Santa Maria se eximiu de responsabilidade pelo incêndio;
4- o chefe do Estado Maior do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros, major Gerson Pereira, recebeu uma ligação do governo do Estado e disse que foi "orientado a não falar com a imprensa".
5-  empresa entrega o gravador e diz que não foram feitas imagens do incêndio.
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fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/01/ciclistas-fazem-pedalada-em-memoria-das-vitimas-de-incendio.html

Estudante salvou ao menos 14 pessoas antes de morrer em incêndio



Jovem teria sido um dos primeiros a sair, mas voltou para ajudar.
Pai acredita que se filho não tivesse entrado, tragédia seria maior.

Paulo Toledo PizaDo G1, em Santa Maria
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 Bruno (à esq.), o pai (centro) e a irmã (dir.) de Vinicius fazem gesto em homenagem ao estudante (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)Bruno (à esq.), o pai (centro) e a irmã (dir.) de Vinicius fazem gesto em homenagem ao estudante (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)
Parentes e amigos do estudante de educação física Vinícius Montardo Rosado, de 26 anos, tentam, com muito esforço, cumprir o que acreditam seja um dos últimos desejos do jovem e não chorar. O brincalhão de quase dois metros, que nunca ficava emburrado, segundo sua família, foi um dos 235 mortos no incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Ele foi um dos primeiros a sair da casa noturna em chamas, mas decidiu voltar e ajudar quem não conseguia escapar. Pelo menos 14 pessoas foram retiradas daquele lugar pelo rapaz, segundo relatos de sobreviventes.
Vinicius faz gesto que era considerado sua marca registrada (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)Vinícius faz gesto que era considerado sua marca
registrada (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
O G1 esteve na casa onde o jovem vivia com a família, em Santa Maria, nesta terça-feira (29). Logo na entrada da casa simples, alguns parentes que foram prestar condolências à família estavam sentados em cadeiras de armar. Enquanto conversavam, tomavam chimarrão.
No quarto, a auxiliar de escritório Jéssica Montardo Rosado, de 24 anos, irmã de Vinícius, mostrou fotos dele ainda criança que tinham sido publicadas no Facebook. "A gente era muito unido. Sempre dormimos na mesma cama, desde pequenos", disse.
Ao abrir o guarda-roupas, ela retirou do canto da prateleira mais alta uma camisa do Internacional. "Aqui está tudo que ele tinha. Essa era a paixão dele", afirmou.
“Se ele e muitos outros jovens não tivessem voltado para ajudar, essa tragédia seria muito maior. Em vez de 234, seriam 400, 500 mortos”, disse o pai de Vinícius, o gerente de eventos Ogier de Vargas Rosado, de 51 anos.

O estudante estava animado com o futuro. Com formatura marcada para este ano, planejava seguir para São Paulo, onde trabalharia e juntaria um dinheiro para um cruzeiro marítimo. Adepto de esportes que exigem físico desenvolvido, como rúgbi, queria se tornar lutador de MMA.

Ele e seu melhor amigo, o empresário Bruno Perin, de 25 anos, criaram quando adolescentes um estilo de vida intitulado “free life style”. “É como um ‘carpe diem’, sobre aproveitar ao máximo a vida. E acho que ele conseguiu isso durante a vida”, lembrou o jovem.
Parentes contam que Vinicius adorava festas, mas cancelava qualquer evento se um amigo precisasse de ajuda. “Era um rapaz muito humilde. Nunca vi ninguém falar que não gostava dele”, disse o pai. “Brincava que ele era como uma baleia: grande, forte e doce.”

Foi em uma festa, porém, que a vida do jovem chegou ao fim. Segundo testemunhas, na madrugada de domingo Vinicius saiu da boate e procurou a irmã. Ao ver que Jéssica estava bem, voltou ao prédio em chamas, para resgatar quem não conseguia encontrar a saída.

Depois de alguns minutos, foi retirado por bombeiros desacordado. Ele morreu na ambulância, a caminho do hospital. No velório coletivo realizado no ginásio esportivo da cidade, pessoas que sobreviveram e que participaram da cerimônia reconheceram Vinicius. “Passavam e diziam: ‘lembro dele. Foi ele quem me salvou’”, afirmou Bruno. Por suas contas, foram 14 os resgatados pelo estudante de educação física. “Santa Maria não pode ser lembrada como uma terra onde aconteceu uma tragédia, mas uma terra de heróis”, completou.
Desenho feito por amigos de Vinicius (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)Desenho feito por amigos de Vinicius
(Foto: Paulo Toledo Piza/G1)
Inicialmente revoltado com o desprendimento do filho que causou sua morte, Ogier reviu sua opinião após pensar e conversar com a filha. “Ela me disse que, mesmo que eu estivesse lá e tentasse impedi-lo, ele me empurraria e entraria. Era a índole dele. Se ele não tivesse entrado, sei que se arrependeria de ter deixado todas aquelas pessoas morrerem.”

Emocionado com o exemplo do filho, o gerente de eventos espera que o mundo tenha outros tantos Vinicius. “Se o mundo tivesse esse tipo de solidariedade uma vez a cada seis meses, ele seria um lugar melhor para se viver.”
fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/01/estudante-salvou-ao-menos-14-pessoas-antes-de-morrer-em-incendio.html

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Tragédia em Santa Maria: o que já se sabe e as perguntas a responder



Alvará, lotação e falta de saída de emergência são pontos investigados.
Incêndio em boate deixou 231 mortos em Santa Maria no domingo (27).

Do G1, em São Paulo
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O incêndio que atingiu a Boate Kiss, na madrugada de domingo (27) e deixou  mais de 230 mortos em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul, tem uma série de pontos a serem investigados pela Polícia Civil e pelas autoridades.
Questões básicas como qual era o número de pessoas dentro da boate no momento da tragédia e se a boate poderia funcionar sem ter saída de emergência permanecem ainda não esclarecidas.
Leia a seguir o que já se sabe sobre pontos-chave da investigação, segundo as versões relatadas por testemunhas, autoridades e donos da boate, e as perguntas que ainda precisam ser respondidas.
Alvará de funcionamento da boate (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: O alvará fornecido pelo Corpo de Bombeiros para o funcionamento do estabelecimento está vencido desde agosto de 2012.
As versões: Segundo o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, a documentação com a prefeitura estava em ordem e o que estava vencida era apenas a alvará concedida pelos bombeiros. A boate sustenta que a situação estava regular pois já havia pedido a renovação. Em depoimento à polícia, um dos donos da boate disse que os bombeiros fizeram uma série de exigências e recomendações para a renovação do Plano de Prevenção e Controle de Incêndios.
O que falta ser esclarecido: A polícia apura quais exigências feitas pelos bombeiros os donos da boate já haviam cumprido e como estava o processo de renovação.
 
Saídas de emergência e sinalização na boate (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: A Kiss só possuia uma entrada principal, que também era a única saída.  O estabelecimento não tinha outras portas auxiliares ou janelas.
As versões: A boate afirmou em nota que contava com "todos os equipamentos previsíveis e necessários  para o sistema de proteção e combate contra o incêndio, aprovado pelo Corpo de Bombeiros, adequado às necessidades da casa e de seus freqüentadores". Testemunham relataram que a boate não possuía sinalização de emergência e que o local ficou às escuras logo que o fogo começou, o que dificultou a saída do público.
O que falta ser esclarecido: Ainda não está claro se o estabelecimento deveria dispor de mais de uma saída para ter licença de funcionamento. Em entrevista ao Jornal Hoje, o prefeito de Santa Maria, disse que esta é uma "questão de natureza técnica", que não tinha condições de responder.
 
Regras para concessão de alvarás para estabelecimentos como casas noturnas (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: Não existe uma lei nacional que estabeleça as regras de prevenção e proteção contra incêndios. As leis são estaduais e, por isso, cada governo estabelece uma lei com base em normas locais ou estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou mesmo pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). A concessão de alvarás de funcionamento para estabelecimentos como casas noturnas  no país hoje é feita pelos bombeiros e autoridades locais, baseados em normas estaduais.
As versões: No caso da lei vigente no estado do Rio Grande do Sul, dispositivos de extração de fumaça (aberturas no teto) e detector de fumaça não são obrigatórios. “Se o escape fosse obrigatório, a fumaça, no caso de Santa Maria, dissiparia muito mais rápido. As pessoas morreram intoxicadas lá. Já com o detector de fumaça, rapidamente os seguranças perceberiam o incêndio e ajudariam a liberar as pessoas logo no começo do incêndio”, afirma o engenheiro civil Carlos Wengrover Rosa.
O que falta ser esclarecido: A polícia apura se as instalações da boate atendiam às exigências da lei esdadual e do Corpo de Bombeiros.
 
Origem e causas do incêndio (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: O fogo começou por volta das 2h30 de domingo, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que realizou uma espécie de show pirotécnico, e se alastrou rapidamente devido ao material usado para o isolamento acústico..
As versões: Segundo relatos de testemunhas, faíscas de um bastão sinalizador conhecido como "sputnik" atingiram o teto da boate, à esquerda do palco, que era forrado de espuma e isopor. Já a banda disse à polícia que o modelo usado na apresentação não tinha capacidade de provocar incêndio. Os músicos disseram que houve um curto-circuito em fios que estavam no teto do palco após o equipamento conhecido como "sputnik" ser utilizado. Segundo eles, o grupo já tocava uma outra música quando o fogo teve início.
O que falta ser esclarecido: Peritos acharam no chão da boate pedaços do sinalizador, que será analisado durante as investigações das causas e dos responsáveis pela tragédia. A polícia também apurar a hipótese de curto-circuito como origem do fogo.
 
Show pirotécnico dentro de boate (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: Os efeitos pirotécnicos durante o show do Gurizada Fandangueira, relatados como possível causa do incêndio eram comuns durante as performances da banda.
As versões: Não há lei que proíba um show de fogos de artifício em ambientes fechados, de acordo com especialistas consultados pelo G1. No entanto, para que a pirotecnia possa ser feira é preciso da liberação do Corpo de Bombeiros, que avaliará as condições do local.
O que falta ser esclarecido: As autoridades ainda não esclareceram se a banda tinha autorização para shows pirotécnicos dentro da boate Kiss.
 
Extintores e equipamentos de controle de incêndio (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: Pelo menos um extintor não teria funcionado.
As versões: Testemunhas relataram que alguns seguranças tentaram apagar as chamas no teto da boate com extintores e que estes não teriam funcionado. Segundo o guitarrista do grupo Gurizada Fandangueira, Rodrigo Martins, um segurança e o próprio vocalista tentaram operar o equipamento, que falhou. A boate sustenta que contava com "todos os equipamentos previsíveis e necessários para o sistema de proteção e combate contra o incêndio"
O que falta ser esclarecido: A investigação deverá apurar se os equipamentos estavam regularizados e em condições de funcionamento e se os funcionários souberam manuseá-los de maneira adequada.
 
Capacidade da boate e público presente no momento do incêndio (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: O número de pessoas que estava dentro da boate ainda é desconhecido.
Versões: Segundo informações da própria casa noturna, a capacidade máxima é para mil clientes. De acordo com o delegado Sandro Meinerz, informações coletadas pelas equipes de investigação dão conta de que o público na hora da tragédia era de aproximadamente mil pessoas. O Corpo de Bombeiros, no entanto, estima que o número era maior, perto de 1,5 mil.
O que falta ser esclarecido: qual era o número e se o público era superior à capacidade máxima.
 
Saída dos clientes e ação dos seguranças e funcionários (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: Assim que começou o incêndio, centenas de pessoas ficaram desesperadas e começaram a correr em busca de uma saída para a rua. Houve tumulto e,  inicialmente, seguranças da boate tentaram impedir a saída dos clientes, mas que logo perceberam a fumaça e liberaram a passagem.
As versões: Testemunhas relataram que os seguranças bloquearam a porta da boate, o que teria atrapalhado a evacuação, e que os funcionários barraram as pessoas que tentavam sair sem pagar a comanda. Sobreviventes disseram também que a saída da boate foi dificultada por uma grade colocada perto da porta para organizar a fila de entrada, o que fez muita gente cair no chão e acabar pisoteada.
O que falta ser esclarecido: A polícia deve investigar se os funcionários seguiram o protocolo correto para situações de emergência e se os seguranças receberam orientação prévia da direção da casa para barrar clientes em caso de tumultos.
 

Maioria dos corpos retirados de dentro dos banheiros (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros da boate.
As versões: O capitão da Brigada Militar Edi Paulo Garcia disse que a maioria das vítimas tentou escapar pelo banheiro do estabelecimento e acabou morrendo. Testemunhas afirmam que muitas pessoas foram para a porta dos banheiros achando que era a saída da boate e acabaram ficando presas ali.
O que falta ser esclarecido: Os investigadores apuram porque as pessoas fizeram dos banheiros uma alternativa de saída e se problemas na sinalização da boate teriam confundido os clientes.
 
Morte por asfixia (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: a maioria dos mortos, cerca de 90%, tiveram como causa da morte asfixia mecânica.
As versões:  A médica legista Maria Ângela Zuccheto, coordenadora regional de perícia da área de Santa Maria, afirmou que 90% dos mortos tiveram asfixia como causa da morte em razão da rapidez com que o fogo se alastrou e a quantidade de fumaça. Segundo o pneumologista José Eduardo Afonso Junior, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, a fumaça deveria conter substâncias tóxicas liberadas devido à queima de materiais inflamáveis, como a espuma do isolamento acústico presente no teto do estabelecimento.
O que falta ser esclarecido: ainda não está claro se vítimas morreram após terem sido pisoteadas no tumulto.
 
Duração do incêndio e momento das mortes (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: A agonia de parentes e amigos começou por volta das 3h da madrugada de domingo, mas o momento em que ocorreram as mortes não foi determinado. A combinação da fumaça com o calor das chamas causa danos diretos ao sistema respiratório, podendo provocar o óbito de quem estiver em um ambiente fechado em poucos minutos.
As versões: A perícia acredita que muitas das vítimas possam ter morrido poucos minutos após o início do incêndio. O médico otorrinolaringologista Richard Voegels, do Hospital das Clínicas da Universidade da USP, explica que 5 minutos sem respirar pode provocar parada cardiorrespiratória. "Quando se inala muita fumaça com monóxido de carbono, a substância acessa o alvéolo [onde ocorre a troca gasosa entre o oxigênio, que entra no sangue, e o gás carbônico, que é retirado] e entra em contato com as hemácias do sangue, que transportam oxigênio para os órgãos. Isso impede a oxigenação do corpo e, em questão de minutos a pessoa pode morrer”, diz.
O que falta ser esclarecido: a polícia apura se vítimas morreram asfixiadas antes de poderem tentar achar a saída da boate.
 
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Imagens das câmeras de segurança da boate (Foto: Editoria de Arte/G1)
O que já se sabe: não foram localizadas imagens das câmeras da boate. Policiais cumpriram na noite de domingo mandados de busca e apreensão na casa dos sócios, mas não localizaram o material.
As versões: Segundo a polícia, não foram localizados na boate os gravadores que armazenam as imagens da boate. “Parecia que os fios tinham sido arrancados. Não sabemos afirmar se foi recente ou não. Peritos ainda irão analisar”, disse o delegado Sandro Meinerz. O dono da boate, Elissandro Calegaro Spohr, afirmou em sua defesa que o sistema não estava funcionando havia três meses e que, por isso, o computador não estava mais na boate.
O que falta ser esclarecido: a polícia apura se o equipamento foi de fato retirado da boate antes do incêndio.

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Infográfico: tragédia de Santa Maria (Foto: Arte G1)