O documentarista Rob Spence, de Toronto, está disposto a mostrar para todo mundo o ponto de vista dele. O canadense resolveu instalar, no lugar da prótese que usa no olho direito, uma microcâmera. Mas, de acordo com reportagem do jornal “Daily Mail”, o aparelho não está ligado ao cérebro de Rob, por isso ele não teve a visão recuperada. Apenas capta as imagens.
O cineasta já deu até uma função para as imagens que ele captar com a microcâmera. Ele vai usar os vídeos no projeto de um documentário sobre as questões de privacidade. Ele disse que os personagens não irão saber que estão sendo filmados, mas vai precisar da autorização deles para incluir as imagens no filme. O projeto do documentário está perto de conseguir financiamento no Canadá.
Ele tem até uma luz vermelha para ficar a cara do personagem de Schwarzenegger Foto: Reprodução
O canadense perdeu o olho por causa de um tiro acidental na infância. Segundo ele, a ideia surgiu quando, olhando para um celular com câmera, pensou que talvez pudesse criar algo tão pequeno que coubesse no lugar do olho. O projeto começou em 2009, com a ajuda de engenheiros e oftalmologistas que utilizaram o que havia de menor em tecnologia no mercado. “Não foi fácil, mas por ser muito parecido com a ficção pop, os engenheiros se divertiram muito fazendo isso”, contou ele.
A microcâmera foi doada por uma companhia especializada na Califórnia e tem uma resolução de 328 x 250 pixels. O sistema usa baterias com controle remoto e está todo interligado por uma placa que tem a espessura de um papel. Rob tem ainda uma luz vermelha como acessório, para deixar ele bem parecido com o personagem vivido por Arnold Schwarzenegger em “O Exterminador do futuro”.
O ciclista francês Thomas Voeckler perdeu um desafio contra o cavalo "Othello Bourbon", que foi conduzido por Eric Raffin, em uma competição na semana passada em Les Sables-d'Olonne, na França. A disputa ocorreu em um hipódromo em uma distância de 380 metros.
Thomas Voeckler durante o desafio contra o cavalo 'Othello Bourbon'. (Foto: Jean-Sebastien Evrard/AFPI)
Evento foi realizado em hipódromo de Les Sables-d'Olonne. (Foto: Jean-Sebastien Evrard/AFP)
A hidrelétrica será construída entre as cidades de Altamira e Vitória do Xingu, terá duas barragens e dois reservatórios. Populações ribeirinhas, índios e agricultores temem o futuro na região.
O Jornal Nacional começa a exibir nesta terça-feira (23) uma série especial de reportagens sobre a usina de Belo Monte: a maior obra em andamento no Brasil neste momento e a mais polêmica também. Os repórteres Cristina Serra e Almir Queiroz mostram por quê.
O Xingu é um espelho, onde o céu e o rio se confundem. Percorre 1,9 mil quilômetros. Sai do Cerrado, em Mato Grosso, e segue rumo à Floresta Amazônica, no Pará.
A hidrelétrica de Belo Monte será construída entre as cidades de Altamira e Vitória do Xingu. A usina terá duas barragens e dois reservatórios. O primeiro não altera o leito do rio, só alarga suas margens, o que corresponde ao que é o Xingu hoje em período de cheia. O segundo reservatório vai alagar o que hoje é terra firme: pasto e floresta. Um canal ligará os dois reservatórios. Com isso, o curso natural do rio será desviado. Na área onde hoje o Xingu faz uma imensa curva, a chamada Volta Grande, terá a vazão reduzida.
É por isso que os índios entoam cantos de guerra. “Sem a água, não tem comunidade viva”, diz um índio.
Essa briga não é de hoje. Os primeiros estudos, há 30 anos, previam a inundação de terras indígenas. Em 1989, José Antônio Muniz, engenheiro da Eletronorte, sentiu na pele a indignação de uma guerreira caiapó, a índia Tuíra. “Em um momento ela vem assim, inesperadamente, com aquela coisa e bate de um lado. Eu senti que era um facão. Bateu de um lado, bateu do outro e bateu do outro”, ele lembra.
Há três anos, outra agressão. Os índios também atacaram com facões o engenheiro Paulo Fernando Rezende.
O projeto mudou e nenhuma aldeia será alagada. A preocupação, agora, é com a falta d’água. “Essa água, para nós, é benta”, diz outro índio.
As populações ribeirinhas e os índios que vivem na região temem que o transporte fique ainda mais difícil e que diminua a fartura de peixes que existe no local.
“Quem sabe vai acontecer a guerra: branco morre, índio morre. Até no final, eu quero ver acontecer esse barramento”, alerta o cacique Ireô, da tribo Caiapó.
Mas, por uma exigência da Funai e do Ibama, a água terá que ser assegurada na Volta Grande. De acordo com o projeto, na época da chuva, quando o rio enche, parte da água será desviada para a usina. Na época da seca, para manter a vazão na Volta Grande, a usina poderá reduzir a produção de energia ou até parar.
“A condicionante é que haja sempre garantida a vazão, que é a chamada vazão ecológica, para que esse modo de vida seja preservado”, explica o presidente da Funai, Márcio Meira.
Para os agricultores, o problema é outro. Seu Manoel mostra com orgulho a floresta que tem na sua propriedade. É uma reserva legal, registrada no Ibama, com todos os impostos pagos. “Tem mais de 5 mil árvores. Eu já contei essa madeira toda aqui”, ele conta.
Tudo vai dar lugar a um dos reservatórios. E Seu Manoel foi informado que só será indenizado pela parte da fazenda onde tem gado e cacau. “Eu acho impossível preservar minha mata, pensando nos meus filhos, nos meu netos e bisnetos, para uma hora dessas, eu chegar e entregar de mão beijada”, defende.
Agricultores vizinhos de Seu Manoel estão na mesma situação. “O próprio governo incentivou a gente a preservar e agora, com o projeto de Belo Monte, diz que a mata, o local preservado, não vai ser indenizado”, argumenta a agricultora Ana Alice Santos.
Mesmo depois do início da obra, o Ibama ainda não tem uma solução para esses casos. “Estão sendo implementados e acompanhados pelo Ibama fóruns de acompanhamento social desse empreendimento. Então, questões específicas como essas serão discutidas nesses fóruns, levadas a nosso conhecimento, ao conhecimento da empresa e aí dirimidos possíveis conflitos”, afirma Gisela Forattini, diretora de licenciamento ambiental do Ibama.
O Ministério Público Federal entrou na Justiça questionando desde os estudos que permitiram a concessão da licença para a instalação da usina até a maneira como as audiências públicas foram conduzidas. Doze ações aguardam julgamento.
“Os estudos não são conclusivos, a modelagem da qualidade da água não está no nível que se necessita para ter certeza da adequação dessa água para a população”, diz o procurador do MPF Cláudio Terre do Amaral.
“Esses estudos ambientais de Belo Monte são de boa qualidade porque foram avaliados por uma equipe de excelência que nós temos”, garante Gisela Forattini.
Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo. Terá capacidade para produzir 11,2 mil megawatts de energia. Mas, devido ao regime de cheia e seca do rio, a produção média será de 4 mil megawatts, o suficiente para abastecer 18 milhões de residências.
“Disso aí nós não podemos abrir mão. Nós temos que usar, esse é o potencial do Brasil, dos brasileiros, que é para a gente ter essa garantia que nós vamos ter energia barata, renovável, sem depender de nada”, destaca Luís Fernando Rufato, diretor de construção da Norte Energia.
“O custo de Belo Monte é muito maior do que o que está sendo ventilado pelo empreendedor. Você tem diversos impactos sócio-ambientais da obra, que vão muito além da área de abrangência de construção dessa obra e que não estão sendo dimensionados”, argumenta Marcelo Salazar, do Instituto Socioambiental.
Polêmica e dúvidas também entre as comunidades ribeirinhas. Várias serão alagadas, outras ficam onde serão instalados os canteiros de obras. A empresa que constrói Belo Monte terá que indenizar os moradores ou construir novas moradias, mas os locais para onde serão levados não foram escolhidos.
Dona Cláudia, que há 40 anos mora na comunidade Santo Antônio, está angustiada: “Eu me senti triste porque aqui a gente vivia num sossego muito bom”.
Toda essa mudança tem um motivo claro para o governo: garantir energia para o país. “O nosso país é um país que está crescendo e necessita de, aproximadamente, cerca de 7 mil megawatts por ano, nos próximos dez anos, para permitir esse crescimento econômico e o desenvolvimento do nosso país”, defende Altino Ventura, secretário de Planejamento de Minas e Energia.
Hoje, o Xingu é o ganha-pão da pescadora Alcilene. Mas ela já sabe que seu modo de vida simples está no caminho de uma força avassaladora. “Esse é o progresso”, diz.
Sucesso de público e de crítica também é a comida mineira - em cartaz, até domingo, no Festival de Gastronomia de Tiradentes. E surgiram novos ingredientes no cardápio. Na cidade de arquitetura colonial, turistas têm um saboroso motivo que também faz valer a visita. “A gente sempre acaba comendo muito aqui”, disse uma mulher.
Os turistas pedem, e os chefes atendem. Eles sempre dão um jeito de inovar. Em um prato, a carne serenada com manteiga de garrafa acompanha ora-pro-nobis crocante, pirão de farinha com legumes.
“Entra na nossa memória buscando os sabores, não se esquecendo dos sabores da mãe. Eu entendo como comida simples. Beleza, gostosura, sem frescura”, destaca a chefe de cozinha Beth Beltrão.
A tradição também tem seu lugar. O costume em Minas Gerais manda que as refeições devem ser fartas. Pode comer à vontade, em Tiradentes, excessos são permitidos.
“Isso é um parque de diversão. Você não tem hora para entrar e nem hora para sair na cidade mais linda do Brasil. Essa cidade maravilhosa, com toda a serra de São José, o ar puro”, comenta a artesã Janes Ribeiro.
A beleza é vista de qualquer ponto da cidade. A serra ainda pode ser desvendada em uma caminhada de 12 quilômetros. Após duas horas andando, é possível chegar ao mirante do Morro do Gavião bem a tempo do espetáculo que vem do céu. Os últimos minutos de luz colorem o horizonte.
“O privilégio de poder parar, esvaziar a mente, dar um tempo da rotina e contemplar a natureza, a beleza, e estar perto de Deus, sim, eu sinto isso”, destaca a artesã Luciana Braga.
A noite chega com um brilho intenso. Quem avista Minas das alturas vai ter para sempre essa lembrança.
No Japão, a expectativa se confirmou. O primeiro-ministro, Naoto Kan, anunciou nesta sexta (26) que vai deixar o cargo. O correspondente Roberto Kovalick falou sobre a renúncia de Kan. Durante a gestão de Naoto Kan, que durou pouco mais de um ano, o Japão entrou novamente em recessão e foi ultrapassado pela China como segunda maior economia do mundo. Além disso, 70 % dos japoneses estavam insatisfeitos com a resposta de Kan ao terremoto, tsunami e ao acidente na Usina de Fukushima em março.
O partido Democrata, que tem a maioria na câmara baixa, o equivalente à Câmara dos Deputados, vai escolher o sucessor de Kan na segunda-feira. Há dois candidatos principais. O atual ministro das Finanças Yoshihiro Noda e o ex-ministro de Relações Exteriores, Seiji Maehara. Será o sexto primeiro-ministro japonês em cinco anos. É um cargo com alta rotatividade. Governo de Fukushima devolve dinheiro enviado pela Cruz Vermelha
O governo da província de Fukushima devolveu dinheiro enviado pela Cruz Vermelha para atender às vítimas do terremoto, tsunami e crise nuclear. Ocorreu o seguinte: as províncias, que equivalem aos estados no Brasil, fizeram estimativas do número de vítimas e casas destruídas pelas tragédias para receber dinheiro da Cruz Vermelha. No caso de Fukushima, o governo fez, recentemente, um novo levantamento e se deu conta de que o número real de vítimas é inferior ao estimado anteriormente. O governo de Fukushima devolveu todo o dinheiro excedente. Cada iene. O equivalente a R$ 180 milhões. O Japão – como qualquer outro país – não está livre da corrupção, mas esse é mais um exemplo da honestidade local. Se o dinheiro é para socorrer vítimas e não há vítimas, devolve-se o dinheiro. Simples assim.
O Campeonato Mundial de Atletismo, na Coreia do Sul, começa nesta sexta-feira (26). São quase dois mil atletas de mais de 200 países. Fabiana Murer é a maior chance de medalha para o Brasil, mas a grande estrela deve ser mesmo o jamaicano Usain Bolt.
Daegu tem 2,5 milhões de habitantes. É a terceira maior cidade da Coreia do Sul. Uma metrópole que, em meio ao moderno, esconde algumas surpresas. São construções antigas, de séculos atrás, algumas até milenares. Daegu é uma cidade que se orgulha da história e, pelos próximos nove dias, vai receber o campeonato mundial do mais velho e tradicional dos esportes: o atletismo.
Ao todo, são 1.945 atletas de 202 países. O Brasil veio com 14 homens e 15 mulheres. “Quem é a mais alta?”, pergunta um dos cartazes do Mundial. Embaixo, duas candidatas: a recordista mundial e bicampeã olímpica do salto com vara, a russa Yelena Isinbayeva, e a brasileira Fabiana Murer, campeã mundial em pista coberta no ano passado.
Isinbayeva parou de competir durante um ano e voltou com técnico novo. Até agora não conseguiu saltar tão alto como antes. “Antigamente, a gente só disputava a prata e o bronze. Agora embolou tudo. Dá para disputar o ouro também”, disse a atleta Fabiana Murer.
A pergunta “Quem é o mais rápido?” é mais fácil de responder. O jamaicano Usain Bolt quer o bi mundial nos 100m e nos 200m, mas isso é pouco para ele. "Quero ser uma lenda do esporte. Acho que ainda não sou. Mas estou trabalhando para em dois anos me tornar isso: uma lenda”, afirmou.
Sem grandes rivais nas provas, Usain Bolt vai correr contra ele mesmo. No esporte mais antigo, ser moderno é quebrar recordes – de preferência, fazendo pose.
De dentro do carro da polícia, um aparelho é capaz de identificar por meio da placa se algum veículo ao redor, estacionado ou não, é roubado ou está irregular no Detran. Esta não é a única tecnologia nos carros da Polícia Militar. A outra é mais simples: o celular. É com o auxílio de um aparelho celular que muitos PMs estão enfrentando o mundo do crime. O número fica estampado na viatura e disponível no site da Polícia Militar.
Ao todo, 10% dos atendimentos da Polícia Militar de Goiás já não passam por uma central do 190. O contato é feito direto, por meio do celular. Assim é possível encurtar o tempo de espera por uma equipe no local da ocorrência. De acordo com um levantamento da Polícia Militar, o serviço diminui em quatro minutos o tempo médio para chegar ao local do crime. Cada carro tem um celular.
“Nós temos 1,6 mil aparelhos em todo o estado. Cerca de 80% das nossas viaturas dispõem desse aparelho. Os 20% restantes são onde não há cobertura”, explica o tenente-coronel Divino Alves, assessor de comunicação da Polícia Militar em Goiás.
Uma mulher diz que usou o serviço por causa de um assalto. “Eu cheguei em casa muito assustada com o que tinha acontecido. Mas como é uma viatura do bairro mais próxima e que poderia me atender prontamente, eu preferi ligar para eles”, comentou.
Paulo Renan Borges trabalha em uma lotérica, assaltada duas vezes em menos de um mês. Na primeira, ele ligou para o 190. Na segunda vez, falou direto com os policiais do bairro. “Quando chegaram aqui, eles fizeram a ocorrência”, disse.
Mas, ao contrário do 190, o serviço não é de graça. Custa uma ligação comum para celular, o que pode impedir muita gente de ligar direto para o policial. Até o fim do mês, os telefones vão ser trocados por aparelhos mais modernos, com acesso à internet, para que o policial possa checar antecedentes criminais e os dados dos veículos.