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terça-feira, 2 de julho de 2013

Dilma diz que 'gostaria' de ter reforma política em vigor em 2014


Mensagem de plebiscito será enviada nesta terça ao Congresso, afirmou.
Segundo ela, prazo para aprovar novas regras depende de parlamentares.

Priscilla Mendes e Renan RamalhoDo G1, em Brasília
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A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (1º) que "gostaria" que a reforma política preparada pelo governo já valesse nas eleições de 2014. Ela confirmou que enviará ao Congresso nesta terça (2) a mensagem na qual sugerirá a convocação de um plebiscito sobre a reforma política.
A presidente ressalvou, no entanto, que a aplicação das novas regras eleitorais dependerá do tempo de aprovação das mudanças pelo Congresso Nacional.
"Do nosso ponto de vista, seria de todo oportuno, mas não temos como definir isso, depende do prazo que der o Tribunal Superior Eleitoral e, em função desse prazo, que eu não sei qual será, depende do Senado e da Câmara", afirmou a presidente.
"Eu não tenho governabilidade sobre essa questão. Eu gostaria muito, para levar em conta toda essa energia que vimos nas mobilizações, que tivesse efeito sobre a eleição", disse, em entrevista à imprensa na Granja do Torto, durante intervalo da reunião ministerial que convocou nesta segunda.
Eu gostaria muito, para levar em conta toda essa energia que vimos nas mobilizações, que [a reforma política] tivesse efeito sobre a eleição."
Dilma Rousseff, presidente da República
Pela Constituição, qualquer alteração no processo eleitoral deve entrar em vigor ao menos 12 meses antes de ser aplicada. As eleições do ano que vem estão marcadas para 5 de outubro; para valer em 2014, portanto, qualquer reforma deveria ser aprovada até 5 de outubro deste ano.
O presidente do PT, Rui Falcão, e parlamentares da base aliada, no entanto, defendem que no plebiscito, o eleitor decida se as novas regras, mesmo se aprovadas depois de outubro, possam valer para as eleições do ano que vem, em que Dilma deve disputar a reeleição.
A presidente disse que, na mensagem ao Congresso, não vai fazer sugestão de perguntas para o plebiscito, mas de temas a serem abordados. Ela mencionou a forma de financiamento das campanhas eleitorais e o sistema de votação para a escolha de membros do Legislativo entre os temas a serem propostos.
"Basicamente, [a sugestão] diz respeito ao financiamento das campanhas e ao padrão eleitoral, ou melhor dizendo, ao padrão de voto vigente, se é proporcional, se é distrital, se é misto, enfim. Aí vai ser formulado e amanhã vocês vão ver bem direitinho quais vão ser as sugestões. É óbvio que não vamos dar sugestão de pergunta porque não somos nós que fazemos as perguntas. As perguntas ficam entre o Senado e Câmara de um lado, e o próprio Tribunal Superior Eleitoral de outro", declarou.
Atualmente, as campanhas eleitorais são bancadas com recursos públicos e doações privadas, com limites para pessoas físicas e empresas. Na discussão sobre a reforma, há sugestões de financiamento exclusivamente público ou de que apenas pessoas físicas possam contribuir para as campanhas.
Para a escolha de deputados e vereadores, o atual sistema é proporcional, ou seja, o número de votos conseguidos por uma coligação de partidos determina quantas vagas ela ela terá no Legislativo. Há propostas para implantar o sistema distrital, em que o Estado e as cidades são divididos em áreas menores (distritos), para que cada um eleja um ou mais representantes conforme o quantidade de votos individuais. Outra possibilidade é o sistema misto, em que as vagas do Legislativo são divididas entre candidatos eleitos pelos sistemas proporcional e distrital.
Pesquisa, governo, manifestações
A presidente disse que não comentaria o resultado da pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana que mostrou queda na taxa de aprovação do governo e nas intenções de voto para ela.
"Nunca comentei pesquisa, nem em cima nem embaixo. Eu recebo pesquisa pelo valor de face. Ela é um retrato do momento, e a gente tem que respeitar", disse.
No início da entrevista, Dilma disse que o objetivo da reunião com os ministros do governo foi fazer uma "discussão aprofundada" e um "aperfeiçoamento da gestão" para alavancar os cinco pactos firmados com governadores e prefeitos de capitais na semana passada (por responsabilidade fiscal, reforma política, saúde, transporte público e educação).
Ao abordar as manifestações, Dilma disse que o governo reforçará o diálogo com movimentos sociais e disse que ampliará a atuação do governo em conferências temáticas. "São formas que adotamos de fazer consultas setoriais, tanto na área de saúde, quanto na area de discriminação racial, mulheres, criança e adolescente", citou.
Meu governo é padrão Felipão."
Dilma Rousseff, presidente da República
Seleção
Ao final da entrevista, de forma bem humorada, a presidente elogiou a atuação da seleção brasileira de futebol na Copa das Confederações, da qual saiu campeã. “Assisti, torci e me inspirei”. Ela comparou sua gestão à do treinador Luiz Felipe Scolari. “Meu governo é padrão Felipão”, disse rindo.

Dilma disse que não compareceu ao estádio Maracanã para a partida final da competição, no último domingo (31), porque “não estava previsto”. Na abertura, em Brasília, Dilma foi vaiada pelos torcedores do Mané Garrincha.

Ela afirmou que deverá ir à abertura da Copa do Mundo, também no Maracanã, em junho de 2014. “Eu estou esperando uma Copa e eu acho que eu sou pé quente”. A presidente deverá receber os jogadores da seleção em setembro, segundo disse, em Brasília.

Responsabilidade fiscal
Sobre o primeiro pacto, que envolve o controle da inflação, Dilma disse que discutiu de "forma profunda" com o primeiro escalão a importância de sermos atentos para a robustez fiscal do país, principalmente do governo federal".
Ela descartou possibilidade de mudança na equipe econômica do governo. "Não está à vista nenhuma", afirmou.
A presidente disse que, apesar de o governo planejar gastar mais, por exemplo, em mobilidade urbana, saúde e educação, os programas sociais estão mantidos. “Não há hipótese de reduzir qualquer gasto social desse país”, disse, citando como exemplo o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e o Luz para Todos.

“A população mais pobre desse país pode ter certeza: o meu governo jamais negociará qualquer redução de gasto social”, declarou. O povo na rua não pediu redução de gasto social e eu não farei", afirmou. "Cortar Bolsa Família, jamais!".
Questionada sobre corte de gastos com cargos comissionados, respondeu: “Não farei demagogia de cortar cargos que não eu ocupo. Se eu não ocupo, eu não gasto. Eu tentarei olhar da onde e de que setor é possível fazer ajustes, mas eu não faço demagogia”.
No meio da entrevista, ela ainda disse que cobrou dos ministros a "aceleração" dos projetos e ações na área de infraestrutura e no programa de concessões de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, além das licitações de petróleo e gás do pré-sal.
Saúde
Em relação à saúde, Dilma defendeu a necessidade de "casar infraestrutura com a presença de médicos", numa referência aos planos do Ministério da Saúde para financiar bolsas de residência médica, ampliar vagas de graduação em medicina e "importar" profissionais estrangeiros. Sobre a polêmica da importação, ela disse que o governo tem como política "dar prioridade para o médico brasileiro, principalmente nas periferias das grandes cidades e Norte e Nordeste".
Transporte
Sobre o transporte público, Dilma destacou investimento adicional de R$ 50 bilhões do governo e mencionou a "possibildade de fazermos um programa ainda mais robusto junto aos governadores e prefeitos".
Ela lembrou das duas desonerações de impostos feitas pelo governo federal - na folha de pagamentos e nas contribuições sociais (PIS e Cofins) - para diminuir o valor das tarifas de ônibus e metrô nas cidades.
"Todo mundo aqui sabe que não há como supor que qualquer redução tarifária possa sair de outro bolso que não seja o nosso. Ou como contribuintes ou como usuários. O fato é que no mundo inteiro há subsídio no tranpsorte urbano e nós temos que discutir isso", disse.
Educação
Ela voltou a destacar a importância da destinação dos recursos dos royalties do petróleo para a educação, destacando ainda a importância do investimento em creches e no programa Alfabetização na Idade Certa.

Copas do Mundo: Globo nega dívida com a Receita


Do G1, no Rio
As Organizações Globo divulgaram nota oficial nesta segunda-feira (1º) em que desmentem de forma categórica notícias falsas que vêm sendo divulgadas na internet sobre dívida que teriam com a Receita Federal pela compra de direitos para a transmissão de Copas do Mundo. A nota informa que as cobranças relativas à aquisição desses direitos já foram pagas.
A íntegra da nota é a seguinte:
"Ao contrário do que vem sendo divulgado por alguns sites, as Organizações Globo não têm qualquer dívida em aberto com a Receita Federal ou outros entes arrecadadores de tributos. Como ocorre com qualquer grande empresa, há cobranças de tributos sendo discutidas nos Conselhos de Contribuintes (via administrativa) ou na Justiça (sempre seguindo os procedimentos previstos em lei). No entanto, podemos afirmar que nenhuma dessas cobranças refere-se à aquisição de direitos de Copas do Mundo. Como já informado, os valores relativos a tal cobrança já foram pagos.

Quanto à publicação de documentos confidenciais, protegidos por sigilo legal, acreditamos que o assunto será apurado pelos órgãos competentes.

Organizações Globo"

Grupo que acampava na frente do prédio de Cabral é retirado do local


PM 'esvaziou' região por volta das 3h desta terça-feira (2).
Grupo ocupava área desde o dia 21.

Do G1, em São Paulo
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Os mais de dez jovens que ainda estavam acampados em frente ao prédio onde mora o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, no Leblon, Zona Sul, foram retirados da região na madrugada desta terça-feira (2), informou a Polícia Militar (PM).
Segundo a PM, policiais esvaziaram a região por volta de 3h. A maior parte dos manifestantes estava dormindo no momento da ‘expulsão’.
Não há informações sobre agressões ou reação dos manifestantes. Um rapaz, identificado como Jiar Rodrigues, porém, foi levado ao 14º DP (Leblon), segundo a PM.
Os manifestantes ocuparam a área na noite de sexta-feira (21), interditando a Avenida Delfim Moreira, na altura da Rua Aristides Espínola, no sentido São Conrado. Na ocasião, segundo o Centro de Operações, o trânsito foi desviado pela Avenida Ataulfo Paiva e pela Rua Humberto Campos.
O acampamento foi formado no mesmo dia em que cerca de 300 mil pessoas protestaram pelas ruas do Rio de Janeiro.
O grupo pretendia ficar acampando no local até que o governador aparecesse para um pronunciamento sobre a atuação da polícia nos protestos no RJ.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Brasileira faz cirurgia para trocar cor dos olhos e quase fica cega


O Fantástico investigou médicos em vários países e no Brasil que prometem fazer essa cirurgia perigosa e proibida.

Você poria sua saúde em risco, só pra trocar a cor dos olhos? O Fantástico investigou médicos em vários países e até aqui, no Brasil, que prometem fazer essa cirurgia perigosa e proibida. Você vai ver, agora, que um simples sonho de beleza pode trazer consequências sérias e até causar a cegueira.
“Eu perdi 70% da visão. Não posso dirigir, nem trabalhar. Não consigo ler. Eu não consigo usar o computador. Eu não tenho mais uma vida normal. Me tornei uma pessoa incapaz”, conta Patrícia Rodrigues.
Esse drama na vida da Patrícia começou quando ela foi trabalhar como assessora de um cirurgião plástico. Na época, ela usava lentes de contato azuis, e recebeu uma proposta. “Depois de um ano trabalhando com ele, ele me apresentou essa cirurgia de mudança da cor dos olhos”, lembra a paciente.
A cirurgia só era feita no Panamá, um pequeno país da América Central. O médico brasileiro acompanhou Patrícia. Ela deixou de ter olhos castanhos e ganhou olhos azuis.
“Ele queria que eu divulgasse a clínica, a imagem dele, através desse procedimento. Seria uma novidade estética”, diz. Ela cona que, em troca, ganharia apenas o benefício estético. “Eu não paguei por essa cirurgia. Foi financiada por ele. A cirurgia, a viagem”, comenta.
Pouco depois da operação, o cirurgião plástico para quem Patrícia trabalhava morreu. E ela diz que passou a ser acompanhada por um oftalmologista da equipe.
“Doutor William Teixeira. Ele me acompanhou durante todo esse período, 3 anos e 8 meses que eu estive com os implantes”, afirma.
E a paciente afirma: foi sob os cuidados pós-operatórios do doutor William que ela quase ficou cega. “Eu perdi 70% da visão. É muito difícil, porque eu fico até com medo de esquecer a fisionomia dos meus familiares, esquecer como é meu rosto, porque eu não me vejo mais no espelho”, lamenta.
Patrícia não é a única. Nossa produção localizou em diversos países pacientes que fizeram implante de íris artificial no Panamá, e tiveram complicações sérias. Na Inglaterra. Nos Estados Unidos. No Canadá. No Brasil, médicos contam que também atenderam vítimas dessa cirurgia.
O oftalmologista Vital Paulino Costa conta que já recebeu três casos iguais aos da Patrícia no consultório. Todos da mesma cirurgia feita no Panamá. “Todos com as mesmas complicações”, afirma.
O Fantástico viajou até o Panamá, onde começou essa história. Desde 2004 a Cidade do Panamá, capital do país, vem recebendo brasileiros e pessoas de toda parte do mundo que chegam com o sonho de trocar a cor dos olhos. Eles podem ficar azuis, verdes, a gosto do freguês. E isso é possível. Tem que ter disposição para pagar 8 mil dólares por uma cirurgia aparentemente simples, mas cheia de riscos. Inclusive de levar à cegueira.
Nós fomos até a clínica do médico que diz ser o criador desse implante: o doutor Delary Kahn, o mesmo que operou a Patrícia. Ele nos explicou a técnica: a parte mais externa e transparente do olho é a córnea. Atrás dela, a íris, onde a luz é filtrada. Depois estão o cristalino e o nervo ótico. Através de um pequeno corte, a lente artificial colorida é inserida em cima da íris, como uma capa. Um procedimento que dura cerca de 10 minutos.
“Até agora temos mais de mil cirurgias realizadas. Temos muitos pacientes da América Latina, e muitos dos Estados Unidos. Brasileiros poderiam ser 8%, mais ou menos”, aponta o médico.
Se este número estiver correto, mais de 80 brasileiros podem estar com essas lentes artificiais hoje. Nós localizamos vários pacientes no Brasil que passaram por essa cirurgia, mas não querem aparecer porque se sentem constrangidos.
A operação só é legalizada no Panamá. E não existe no mundo nenhum estudo científico que comprove a segurança para os pacientes. “5% dos pacientes podem apresentar algum grau de complicação”, afirma o oftalmologista Delary Kahn.
Fantástico: Complicações que podem levar à cegueira?
Delary Kahn: Podem acontecer.
Fantástico: O senhor tem conhecimento de brasileiros que fizeram a cirurgia com o senhor e que enfrentam sérios problemas hoje?
Delary Kahn: Dos que foram feitos aqui, sei de apenas uma paciente brasileira.
Fantástico: É a Patrícia?
Delary Kahn: Patrícia.
Fantástico: A patrícia afirma ter ido e feito os exames regulares.  Mas ela perdeu 70% da visão.
Delary Kahn: É muito lamentável, e não desejamos isso a ninguém.
Segundo os médicos que atenderam Patrícia, a lente artificial lesionou as células que ficam na parte interna da córnea e que são responsáveis por mantê-la transparente e garantir a visão perfeita.
O médico panamenho sugere que o oftalmologista que acompanhou Patrícia no Brasil teria demorado para detectar o problema. “Se tivesse detectado a tempo, e é possível detectar a tempo, indicaria a retirada do implante”, diz o médico.
Fantástico: Quando você sentiu o primeiro sintoma de que alguma coisa estava errada?
Patrícia: Primeira sensação foi de um embaçamento, como se fosse um box embaçando durante o banho.
Fantástico: Por que o médico não queria retirar a lente?
Patrícia: Porque eu ajudava a promover essa cirurgia, de certa forma.
Procurado por telefone, quarta-feira passada, William Teixeira concordou em dar entrevista. Mas, no dia seguinte, a advogada ligou cancelando a gravação.
Em nota enviada ontem ao Fantástico, a advogada do doutor William contrariou a versão de Patrícia. Disse que a paciente nunca pediu para que o médico brasileiro retirasse os implantes. E que foi ela quem abandonou o tratamento.
Mas Patrícia diz que enviou uma mensagem por celular para o médico William Teixeira, pedindo para retirar os implantes. Segundo ela, sem sucesso.
Patrícia: Eu tive que sair do Rio de Janeiro e ir a São Paulo pra buscar respostas com outro oftalmologista.
Fantástico: Que disse o quê?
Patrícia: Que eu tinha uma lesão irreversível na córnea e só voltaria a enxergar com transplante.
“Depois do transplante nós vamos checar como é que tá esse nervo ótico. E isso agora é difícil estabelecer, porque eu não consigo examinar o nervo ótico da Patrícia pela falta de transparência da córnea”, ressalta Vital Paulino da Costa, oftalmologista.
Patrícia conseguiu fazer um transplante de córnea, mesmo sem saber se voltaria a enxergar.
Diante da quantidade de pessoas que alegam ter sofrido complicações com a técnica do doutor Kahn, um médico americano fez um estudo sobre os pacientes que tiveram que retirar os implantes.
“Córneas inchadas, pressão ocular alta, e por causa disso, glaucoma. Todos estavam com os olhos doentes”, aponta David Ritterband, oftalmologista.
O médico faz um alerta: “Se esses implantes continuassem ali, todos ficariam cegos”.
Ainda nos Estados Unidos, procuramos um dos fabricantes das lentes usadas para mudar a cor dos olhos. Perguntamos em que países a cirurgia é feita. Por email, a empresa indicou um consultório em Ipanema, um dos bairros mais nobres do Rio de Janeiro. O médico é Edigezir Barbosa Gomes.
Nossa produtora marcou uma consulta. Ele faz a mesma cirurgia do Panamá, que é proibida no Brasil. Na sala de espera, encontramos um turista americano que tinha acabado de colocar o implante. "Não posso fazer nos Estados Unidos porque lá é ilegal", diz o americano.
Usamos uma câmera escondida. Apesar de ser um exame de rotina, o doutor Edigezir aproveita para oferecer a cirurgia:
Edigezir Barbosa Gomes: Trocar a cor do olho eu também troco, tá? A gente faz umas cirurgias aqui. Ontem mesmo troquei essa aqui.
Produtor: Nossa. É lente, né?
Edigezir: Não. Eu boto dentro do olho. Fica definitivo. Ela é experimental, ou seja, ela não tá aprovada por nenhuma instituição.
Mostramos a gravação da consulta para o Conselho Federal de Medicina, que regulamenta a prática médica no Brasil.
“Não é uma cirurgia aprovada. É proibida pelo Conselho Federal de Medicina. Isso fere o código de ética médica, por não cumprir uma resolução do Conselho Federal de Medicina que determina que novos procedimentos sejam aprovados pelo conselho federal”, explica José Fernando Vinagre, corregedor do CFM. 
Produtor: E custa uma fortuna, doutor?
Edigezir: Não. Fica entre 6 e 8 mil dólares. Não tem recibo, não tem nada. É super escondido.
Produtor: Em dólar? A gente paga em dólar?
Edigezir: A maioria das coisas eu pago em dólar. Você pode dividir. Pelo menos metade eu tenho que ganhar em dólar, porque eu gasto. A outra metade é o meu lucro.
Edigezir: Deixa pago uma parte aí, deixa 3 mil dólares aí.
“Isso é crime fiscal, que a lei brasileira não permite. O paciente que paga uma consulta tem direito ao comprovante de que ele pagou para esse médico”, diz um representante do conselho.
O Conselho Federal de Medicina aponta outras irregularidades.
Produtor: Pelo fato de ser experimental, não tem problema nenhum?
Edigezir: Esse fato é que faz você me autorizar. Tem que ter o papelzinho.
Produtor: Como é que é?
Edigezir: Um termo. Mas tá em inglês. Eu não fiz em português. Você tem que dizer que fala inglês.
O conselho diz que o termo não tem valor: “Nenhum, primeiro porque ele tá em inglês. Ele teria que estar em português, e muito claro. Como a cirurgia não é reconhecida cientificamente no Brasil, não adianta o paciente consentir, porque ele já está na origem fazendo um procedimento que ele não deveria fazer”.
Voltamos ao consultório do médico Edigezir Barbosa Gomes.
Fantástico: Senhor Edigezir, nós temos conhecimento de que o senhor realiza essa cirurgia pra troca da cor do olho. Uma cirurgia que não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. O senhor confirma isso?
Edigezir: Exato. A cirurgia de mudança de cor de olho é uma cirurgia experimental.
Fantástico: Quanto o senhor cobra pra realizar a cirurgia aqui no seu?
Edigezir: Eu não cobro.
Fantástico: O senhor não tem lucro?
Edigezir: Lucro não.
Fantástico: Por que o senhor não daria recibo?
Edigezir: Porque aí eu teria que pagar pra fazer. Estou gastando mais ainda do meu dinheiro. Quanto é que você paga de imposto? Você sabe quanto que o médico paga de imposto? 27%.
“O que uma lente dessas pode causar? Ela pode causar uma inflamação crônica da íris, pode provocar glaucoma, pode provocar lesão da parte interna da córnea, do endotélio”, alerta o médico do conselho.
Fantástico: Segundo o Conselho Federal de Medicina, essa cirurgia coloca os pacientes em risco?
Edigezir: Quem é especialista na cirurgia experimental? Sou eu ou o conselho?
“Ele será submetido a um julgamento ético no Conselho Federal de Medicina do Rio de Janeiro”, afirma o representante.
Cegueira: este quase foi o destino da Patrícia. Depois de entrar na fila do banco de olhos, a sua história começou a ter um final feliz.
“A cirurgia foi perfeita, tudo ótimo. Patrícia está muito bem. Em torno de 1 a 4 semanas, ela já deve estar com a visão recuperada”, afirma Nicolas Cesário Pereira, cirurgião oftalmologista.
Dezessete dias depois do transplante, olha como encontramos a Patrícia: andando, subindo uma escada, firme, com segurança, e de salto.
Fantástico: O quanto você já tá enxergando?
Patrícia: 90% do olho direito, o olho que eu fiz o transplante.
Fantástico: O outro?
Patrícia: Ainda aguardo a resposta pra marcar a cirurgia
“Assim como deu certo pra mim, eu espero que dê certo para as outras pessoas que estão passando pelo mesmo problema que eu e estão sem coragem. Meu conselho é que elas não fiquem quietas”, diz a paciente.

Em meio à crise, Dilma convoca reunião ministerial e prepara mensagem sobre programas sociais


  • Presidente se reuniu durante o jogo do Brasil com alguns de seus ministros. Encontro desta segunda-feira, às 16h, tem pauta extensa
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CATARINA ALENCASTRO E REGINA ALVAREZ (EMAIL·FACEBOOK·TWITTER)
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fala depois de reunião com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada Foto: Givaldo Barbosa / O Globo
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fala depois de reunião com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada Givaldo Barbosa / O Globo
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff marcou para esta segunda-feira, às 16h, uma reunião com todos os ministros para passar à população a mensagem de que o governo não está parado, e que os programas sociais continuam funcionando a todo vapor.
Dilma também aproveitará para discutir com todos os seus auxiliares as iniciativas que anunciou na última segunda-feira e que integram o que chamou de cinco “pactos pelo Brasil”: um de responsabilidade fiscal, um de reforma política e combate à corrupção, um de saúde, outro de educação e, finalmente, um sobre transporte coletivo.
A presidente se reuniu na tarde deste domingo com alguns ministros. Ela pretende enviar já nesta semana a mensagem presidencial pedindo a convocação do plebiscito para fazer a reforma política. Com isso em mãos, o Congresso publicará um decreto legislativo e dará início ao processo de consulta popular.
Dilma ainda não divulgou as perguntas que deverão ser feitas à população. Hoje, ela recebeu o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para tratar do plebiscito. O governo ficou satisfeito com o resultado da pesquisa Datafolha que indicou que 68% dos brasileiros são favoráveis à consulta popular.
A mensagem que deverá passar aos ministros é que o governo está atento aos apelos das ruas, trabalha para atender às novas reivindicações, mas sem se descuidar do equilíbrio fiscal e das conquistas asseguradas na área social. A reunião ministerial marca o momento mais delicado da gestão da presidente Dilma, cuja popularidade está caindo. Há crise na economia e protestos nas ruas por mais e melhores serviços públicos.
O compromisso com o equilíbrio das contas públicas foi enfatizado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista publicada hoje no GLOBO. Ele afirmou que haverá cortes nos gastos de custeio para compensar despesas adicionais que surgiram em função de novas demandas e não descartou aumento de impostos, se necessário.
Dilma deverá fazer uma recomendação expressa para que os programas sociais não sejam descontinuados em decorrência das novas demandas. A ideia é mostrar que o governo não está parado por causa da crise e os programas sociais continuam funcionando a todo vapor.
— Precisamos ter olhos e atenção às novas reinvidicações das ruas, olhando a questão fiscal e os programas já existentes. As conquistas que a população mais pobre teve nos últimos anos serão preservadas. Não haverá retrocesso — garantiu o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, resumindo o recado inicial da presidente Dilma em uma reunião realizada hoje, no mesmo horário da final da Copa das Confederações.
Bernardo participou da reunião, no Palácio do Alvorada, junto com os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Eleonora Menicucci (Políticas para as Mulheres), Luiza Bairros (Promoção da Igualdade Racial) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, também esteve com a presidente na residência oficial.
Dilma também comentou na reunião no Alvorada a queda em sua popularidade em decorrência dos protestos das últimas semanas. Segundo um interlocutor, ela demonstrou tranquilidade:
— Não foram manifestações apenas contra o governo federal. Houve muitos avanços, mas ainda há muitos problemas. São mobilizações pela ampliação de direitos. São legítimas e reforçam a democracia.
Médicos estrangeiros
Dando prosseguimento a uma das medidas anunciadas pela presidente Dilma para melhorar a saúde, o programa “Mais Médicos”, que pretende contratar profissionais estrangeiros da área para trabalhar no interior do Brasil, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que vai se reunir esta semana com os governadores e com os prefeitos para definir o edital de contratação desses profissionais. Ele explicou que o edital elaborado pelo Ministério da Saúde será baseado na experiência internacional. Padilha participou de reunião com a presidente na tarde deste domingo no Palácio da Alvorada.
- O edital primeiro será para a chamada dos médicos brasileiros. Os médicos estrangeiros só vão para as vagas não ocupadas pelos médicos brasileiros - garantiu.
Outra prioridade do ministro esta semana é chamar os secretários estaduais e municipais em Brasilia para acelerar os recursos do governo federal para os hospitais. Ele disse que o objetivo é ter melhores hospitais, mais infraestrutura e mais UPAs 24 horas. Alexandre Padilha afirmou ainda que mais de 20 mil unidades básicas estão sendo reformadas e ampliadas.
O ministro disse que a reforma política não foi discutida na reunião com a presidente. Ao ser perguntado como estava a presidente Dilma Rousseff depois do resultado da pesquisa Datafolha, o ministro disse que a presidente “está bem, muito bem”.
- Sempre sensível ao que vem das ruas. Eu acho que não só o governo federal mas a presidente Dima têm demonstrado que o Brasil é um país democrático onde tem manifestação, o governo federal e a presidente Dilma busca reagir construir e absorver as propostas que vêm da população e dar alternativas - disse ele.


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