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sábado, 2 de fevereiro de 2013

'Salve Jorge' ajuda mãe a salvar filha de tráfico de mulheres na Espanha



Polícia libertou brasileira que era obrigada a fazer sexo em casa noturna.
'É absolutamente desumano', afirma ministra de Políticas para as Mulheres.

Da Reuters
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Um telefonema de uma filha angustiada na Espanha e imagens da novela "Salve Jorge", que aborda o tema da exploração sexual, levaram uma mãe brasileira a perceber que sua filha estava em apuros.
Morena (Nanda Costa) e Jéssica (Carolina Dieckmann) tentam explicar o golpe (Foto: TV Globo/Raphael Dias)Morena (Nanda Costa) e Jéssica (Carolina Dieckmann) tentam explicar o golpe (Foto: TV Globo/Raphael Dias)
A mulher recorreu a um disque-denúncia criado pela Secretária Especial de Políticas para as Mulheres, dando início a uma operação policial internacional que levou as autoridades a desbaratarem na semana passada uma rede de prostituição e tráfico de mulheres na cidade espanhola de Salamanca.
A polícia espanhola entrou em uma casa noturna dessa cidade universitária e libertou a brasileira e cinco outras mulheres que eram obrigadas a fazer sexo com os clientes pelo equivalente a 20 dólares, disseram autoridades brasileiras na sexta-feira (1º).
Em junho, uma denúncia vinda do Brasil já havia levado a polícia da Espanha a um bordel de Ibiza, onde 28 mulheres de diversas nacionalidades eram obrigadas a prestar serviços sexuais 24 horas por dia. Elas viviam confinadas em quartos superlotados, e eram vigiadas por câmeras.
Essas operações ilustram o drama de estrangeiras atraídas à Europa com promessas de trabalho e uma vida melhor, mas que acabam sendo forçadas a se prostituir para saldar dívidas intermináveis.
Rodrigo Lombardi e Fernanda Costa, protagonistas de 'Salve Jorge' (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Rodrigo Lombardi e Fernanda Costa, protagonistas
de 'Salve Jorge' (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
"Elas são principalmente mulheres jovens, bonitas e pobres, que recebem a promessa de trabalho na Europa por parte de traficantes", disse a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, em entrevista coletiva.
Segundo ela, essas mulheres têm seus documentos confiscados quando chegam à Europa, e são informadas de que só serão liberadas quando pagarem vultosas dívidas.
"É absolutamente desumano o que estão fazendo com nossas jovens e adolescentes", disse Menicucci.
O governo brasileiro transformou seu disque-denúncia em um serviço internacional, que pode ser acessado gratuitamente a partir da Espanha, Portugal e Itália, principais destino das brasileiras aliciadas por traficantes.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o tráfico humano é um crime difícil de detectar, porque as vítimas relutam em contar o que lhes aconteceu. Ele fez um apelo para que essas mulheres denunciem os abusos.
Segundo Cardozo, o tráfico humano é um crime tão "subterrâneo" que não há nem estimativas sobre suas dimensões.
Mas "Salve Jorge", atual novela nas 21h da Rede Globo, trouxe esse drama para a sala de estar dos brasileiros. A história se baseia no caso real de uma brasileira levada para Israel e forçada à prostituição. Na trama a personagem é levada para a Turquia.
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fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2013/02/novela-e-denuncias-ajudam-a-desbaratar-rede-de-trafico-de-mulheres-na-espanha.html

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

No Brasil, banda larga alcança 78,8 milhões de acessos em julho



Segundo pesquisa da Telebrasil, crescimento foi de 67% em um ano.
Em sete meses, 19,2 milhões de conexões foram adicionadas.

Do G1, em São Paulo
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O número de acessos de banda larga no Brasil alcançou 78,8 milhões em julho, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (23) pela Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil).
De acodo com a associação, o número representa um crescimento de 67% em comparação a julho de 2011. De janeiro a julho de 2012, 19,2 milhões de novas conexões foram adicionadas, o que, segundo a Telebrasil, é um novo acesso por segundo.
Do total de acessos de julho, 18,7 milhões são de banda larga fixa e 60,1 milhões de banda larga móvel. Nos últimos 12 meses, foram ativados 30,5 milhões de novos acessos móveis e, destes, 12,4 milhões são de terminais de dados como modens 3G. Celulares com 3G registraram 47,7 milhões de aparelhos, crescimento de 109% em um ano. Na banda larga fixa, 1,3 milhão de novos acessos foram ativados nos últimos 12 meses. 
A redes de 3G, de acordo com a Telebrasil, já estão instaladas em 3.040 municípios, cobrindo cerca de 85% da população brasileira. Apenas em 2012, 390 novos municípios foram conectados em 3G.
A oferta de banda larga popular, de até 1 Mbit por R$ 30, vem sendo incentivada em dez Estados brasileiros: Espírito Santo, Goiás, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Outros cinco Estados, Acre, Amapá, Ceará, Rio Grande do Sul e Sergipe e o Distrito Federal, também já aderiram ao convênio, faltando apenas regulamenta-lo. Os demais Estados, Alagoas, Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Tocantins, ainda não aderiram ao convênio.
 


fonte: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2012/08/no-brasil-banda-larga-alcanca-788-milhoes-de-acessos-em-julho.html

Casos de dengue aumentam em vários estados; MS tem pior situação



Em Campo Grande são mais de 15 mil notificações, e 20 mil casos em todo o estado. O problema é tão sério que os postos de saúde estão lotados.

Cláudia GaigherCampo Grande, MS
Com tanta chuva em todo o país, outro problema aparece. Os casos de dengue estão aumentando. A situação é pior emMato Grosso do Sul, onde há uma epidemia.
Esse mês de janeiro já é considerado o pior da história no que diz respeito à epidemia de dengue em Campo Grande. Já são mais de 15 mil notificações. Em todo o estado são 20 mil casos.
Duas pessoas tiveram mortes confirmadas por dengue, e outras três estão em investigação. Esse número pode aumentar porque têm surgido outros casos de morte em outros municípios com suspeita de dengue.
O problema é tão sério que os postos de saúde estão lotados. O município de Campo Grande montou uma equipe médica itinerante para ajudar nos postos mais cheios. O Conselho Regional de Enfermagem está disponibilizando profissionais para trabalhar voluntariamente, porque está faltando enfermeiro e técnico.
A dengue não preocupa só em Mato Grosso do Sul. Os casos estão por todo o país. Nos primeiros 24 dias do ano, Minas Gerais notificou mais de 13 mil casos da doença. No Espírito Santo, mais de 3,4 mil casos.
Em Mato Grosso, o número passa de 3 mil. Na Bahia, o número de notificações passa de 2 mil. O Amazonas registra mais de 600 notificações. No Rio Grande do Norte são 400 casos. No Pará são mais de 170 notificações da doença. Pernambuco registrou 144 casos. EmSanta Catarina, todas as 29 vítimas são de outros estados.
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fonte: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/01/casos-de-dengue-aumentam-em-varios-estados-ms-tem-pior-situacao.html

Jovem buscou fôlego em freezer para escapar da tragédia em boate


Ingrid Goldani ficou internada quatro dias na CTI de um hospital da capital.
A jovem trabalhava no bar da casa noturna que se incendiou no domingo.

Luiza CarneiroDo G1 RS
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Pais de Ingrid comemora a saída da filha da CTI (Foto: Caco Konzen/Ag. RBS/Folhapress)Pais de Ingrid comemoram a saída da filha da CTI no hospital  (Foto: Caco Konzen/Ag. RBS/Folhapress)
Um freezer da boate Kiss salvou a vida de Ingrid Goldani, 20 anos, estudante do quinto semestre de enfermagem da UFSM. A jovem trabalhava no bar da casa noturna no momento em que o local foi atingido por um incêndio, no último domingo (27), que deixou 235 mortos. Nascida em Santa Maria, Ingrid teve alta do CTI e segue internada no Hospital Conceição, emPorto Alegre.
No hospital, Ingrid gosta de checar as redes sociais pelo celular (Foto: Luiza Carneiro/G1)No hospital, Ingrid gosta de checar as redes
sociais pelo celular (Foto: Luiza Carneiro/G1)
Ingrid trabalhava atrás do balcão do bar e demorou para perceber o que estava acontecendo. Quando notou o fogo, o ambiente já estava tomado pela fumaça. "Quando ela se sentiu mal e viu que não conseguiria mais respirar, ela contou que abriu o freezer, colocou a cabeça dentro e puxou o ar puro", disse o pai Flavio Goldani, gerente de manutenção.
O irmão de Ingrid, Fábio, também estava na boate, mas perto da porta e conseguiu escapar ileso. 
Quando recuperou o fôlego, a jovem contou para a família que pulou o balcão do bar, mas caiu e acabou pisoteada por algumas pessoas. "Um cara viu que ela estava caída e a pegou no colo para levar para fora. Nisso, meu filho tinha se dado conta que a irmã ainda estava dentro da boate", afirmou Flávio.
Os irmãos se encontraram do lado de fora da casa noturna. Ela estava se sentindo bem e foram juntos para casa. Mais tarde, ainda no domingo, Ingrid começou a se sentir mal e foi levada pela mãe para o hospital.
"Ela estava desde domingo sedada. Está com uma mancha preta no pulmão, queimou a traqueia e os brônquios", disse a decoradora Eliete Goldani, mãe de Ingrid.
No quarto, Ingrid consegue sentar e até pediu seu celular para checar as redes sociais. "Ela ficou muito feliz com as mensagens de apoio que os amigos deixaram", diz o pai. A expectativa da família é que a jovem receba alta no início da próxima semana. Enquanto se recupera, recebe apoio psicológico oferecido pelo hospital.
Ingrid Goldani trabalhava na danceteria Kiss, segundo o pai dela. Após sintomas de irritação na garganta, ela foi enviada a Porto Alegre, onde está internada em coma induzido (Foto: Reprodução)Ingrid Goldani trabalhava na boate Kiss em Santa Maria (Foto: Reprodução)
Causas da tragédia
Quatro dias após o incêndio na boate Kiss, de acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informações divulgadas até o momento por investigadores, é possível afirmar que:
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso.
- Era comum a utilização de fogos pelo grupo.
- A banda comprou um sinalizador proibido.
- O extintor de incêndio não funcionou.
- Havia mais público do que a capacidade.
- A boate tinha apenas um acesso para a rua.
- O alvará fornecido pelos Bombeiros estava vencido.
- Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros.
- 90% das vítimas fatais tiveram asfixia mecânica.
- Equipamentos de gravação estavam no conserto.
Prisões
Quatro pessoas foram presas na segunda por conta do incêndio: o dono da boate, Elissandro Calegaro Spohr; o sócio, Mauro Hofffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos; e um funcionário do grupo, Luciano Augusto Bonilha Leão, responsável pela segurança e outros serviços.
Investigação
O delegado Marcos Vianna, responsável pelo inquérito do incêndio na boate Kiss, disse aoG1 na terça-feira (29) que uma soma de quatro fatores contribuiu para a tragédia ter acabado com tantos mortos: 1) o fato de a boate ter só uma saída e a porta ser de tamanho reduzido; 2) o uso de um artefato sinalizador em um local fechado; 3) o excesso de pessoas no local; e 4) a espuma usada no revestimento, que pode não ter sido a mais indicada e ter influenciado na formação de gás tóxico.
O delegado regional de Santa Maria, Marcelo Arigony, afirmou também na terça que a Polícia Civil tem "diversos indicativos" de que a boate estava irregular e não podia estar funcionando. "Se a boate estivesse regular, não teria havido quase 240 mortes", disse em entrevista. "Mas isso ainda é preliminar e precisa ser corroborado pelos depoimentos das testemunhas e os laudos periciais", completou.
Arigony disse ainda que a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador mais barato, próprio para ambientes abertos e que não deveria ser usado durante show em local fechado. "O sinalizador para ambiente aberto custava R$ 2,50 a unidade e, para ambiente fechado, R$ 70. Eles sabiam disso, usaram este modelo para economizar. Usaram o equipamento para ambiente aberto porque era mais barato”, disse o delegado.
O vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos, admitiu em seu depoimento à Polícia Civil que segurou um sinalizador aceso durante o show, de acordo com o promotor criminal Joel Oliveira Dutra. O músico disse, no entanto, que não acredita que as faíscas do artefato tenham provocado o incêndio. Ele afirmou que já havia manipulado esse tipo de artefato por diversas vezes em outras apresentações.
Responsabilidades
A boate Kiss desrespeitou pelo menos dois artigos de leis estadual e municipal no que diz respeito ao plano de prevenção contra incêndio. Tanto a legislação do Rio Grande do Sul quanto a de Santa Maria listam exigências não cumpridas pela casa noturna, como a instalação de uma segunda porta, de emergência. A boate situada na Rua dos Andradas tinha apenas uma, por onde o público entrava e saía. Outra medida que não foi cumprida na estrutura da boate diz respeito ao tipo de revestimento utilizado como isolamento acústico.
A Brigada Militar informou nesta quarta que a boate não estava em desacordo com normas de prevenção contra incêndios em relação ao número de saídas. Segundo interpretação da lei, o local atendia as normas ao possuir duas saídas no salão principal. Mas as portas, no entanto, não davam para a rua, e sim para um hall. Este sim dava para a rua através de uma só porta. "Foi um ato possível que o engenheiro conseguiu colocar", disse o tenente coronel Adriano Krukoski, comandante do Corpo de Bombeiros de Porto Alegre.
Jader Marques, advogado de Elissandro Spohr, um dos sócios da boate, disse que a casa noturna estava em "plenas condições" de receber a festa. Ele falou sobre documentação da casa, segurança, lotação, e disse que a banda Gurizada Fandangueira não avisou que usaria sinalizadores naquela noite. O advogado ainda afirmou que o Ministério Público vistoriou o local "diversas vezes".
A Prefeitura de Santa Maria se eximiu de responsabilidade pelo incêndio e entregou alvará para a polícia que mostra data de validade de inspeção para prevenção de incêndio, feita pelo Corpo de Bombeiros. A prefeitura afirma que a sua responsabilidade era apenas sobre o alvará de localização, que é válido com a vistoria do ano corrente. O documento informa que a vistoria foi feita em 19 de abril de 2012.
O chefe do Estado Maior do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros, major Gerson Pereira, disse na quarta que a casa noturna tinha todas as exigências estabelecidas pela lei vigente no Brasil. "Quem falhou, que assuma a sua responsabilidade. Nós fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e não vou entrar em jogo de empurra-empurra", afirmou.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul abriu um inquérito civil na terça parainvestigar a possibilidade de improbidade administrativa por parte de integrantes da Prefeitura de Santa Maria, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos públicos por terem permitido que a boate Kiss continuasse funcionando mesmo com as licenças de operação e sanitária vencidas.
Para ler mais notícias do G1 Rio Grande do Sul, clique em g1.com.br/rs. Siga também o G1 RS no Twitter e por RSS.

fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/01/jovem-buscou-folego-em-freezer-para-escapar-da-tragedia-em-boate.html

Polícia pede prorrogação de prisão de sócios de boate e músicos, diz MP



Ministério Público divulgou parecer favorável à prorrogação por 30 dias.
Para Promotoria, prisão é necessária por indícios de crime hediondo.

Rosanne D'AgostinoDo G1, em São Paulo
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A Polícia Civil de Santa Maria pediu na noite desta quinta-feira (31) a prorrogação da prisão dos dois sócios da boate Kiss por 30 dias, informou o Ministério Público do Rio Grande do Sul. Segundo a Promotoria, que deu parecer favorável ao pedido, há indícios de que tenha havido homicídio doloso (com intenção) no incêndio que deixou 235 mortos na boate na madrugada do domingo (27).
Estão presos desde segunda (28) o dono da boate Elissandro Spohr, seu sócio Mauro Hoffmann e os integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o técnico de palco Luciano Augusto Bonilha Leão. O pedido pode ser decidido nesta sexta-feira (1º), quando se encerra a prisão temporária de cinco dias, pelo Judiciário.
Segundo o Ministério Público, a polícia afirma que a manutenção da prisão é necessária porque há risco para a continuação das investigações caso eles sejam soltos e possibilidade de fuga.
Já a Promotoria afirma que as investigações iniciais "indicam a presença do dolo na conduta dos representados, evidenciando a prática de homicídio doloso, portanto, tendo os representados assumido o risco de produzir o resultado morte de mais de duzentas pessoas, por meio de asfixia". Dolo é o crime cometido com intenção.
"Estamos diante, portanto, por ora, de crime de homicídio qualificado, o qual é considerado crime hediondo", afirmam os promotores Joel Oliveira Dutra e Waleska Flores Agostini, que assinam o parecer.
Ainda segundo o MP, os sócios "mantinham estabelecimento comercial que não tinha condições de operar e, mais, operavam de forma temerária", os "extintores não funcionavam", e "houve uso de artefatos pirotécnicos não permitidos para ambientes fechados".
Além disso, afirma a Promotoria, "houve a utilização de materiais altamente inflamáveis não permitidos para o isolamento acústico, que, segundo já noticiado, liberava substância tóxica (cianeto), que já foi detectado em uma das vítimas sobreviventes, ainda hoje internada junto ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre".
Já os integrantes da Banda Gurizada Fandangueira, "com suas condutas, teriam concorrido para a prática do ilícito", diz o MP. Isso porque o produtor da banda "adquiria os artefatos pirotécnicos, com ciência de que não poderiam ser utilizados em ambiente fechado", "parecendo desimportar-se com o resultado de sua conduta, apenas visando ao lucro".
O vocalista da banda, "teria ciência de tal fato e, mesmo assim, utilizava os artefatos, sendo que há notícia, inclusive, de que chegou a encostar no teto da boate tal artefato". "Da mesma forma, estando com o microfone na mão, não foi capaz de alertar as pessoas acerca da existência de fogo no ambiente", alega o Ministério Público.
Depoimentos
O sócio da Boate Kiss, o vocalista e o produtor da banda Gurizada Fandangueira deramversões contraditórias nos depoimentos à polícia sobre o incêndio. O Jornal Nacional teve acesso ao depoimento das testemunhas. (veja ao lado)
Já prestaram depoimento à polícia jovens que estavam no local no momento do incêndio, músicos e sócios da boate, entre eles Elissandro Spohr, conhecido como Kiko, que foi ouvido no domingo (27). Ele afirmou que a banda tocava na boate uma vez por mês, mas nunca tinha feito esse show pirotécnico e nunca havia pedido consentimento para que se fizesse esse tipo de apresentação.
Ainda de acordo com o depoimento de Spohr, o teto da boate seria de gesso, com uma camada de lã de vidro acima. No palco, havia uma primeira camada de esponja para isolamento acústico.
O advogado Jader Marques, que defende Spohr, afirmou que não tinha certeza sobre o uso de espuma. "Pode sim ter acontecido que o Kiko, com orientação desse engenheiro, ter adicionado elementos como espuma, parede, madeira, gesso em outros locais fora do projeto do Ministério Público e sem o conhecimento do Ministério Público. Pode isso ter acontecido? Sim, pode, pode ter acontecido."
Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, deixou 235 mortos na madrugada do último domingo (27). O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco. De acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informações divulgadas até o momento por investigadores, é possível afirmar que:
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso.
- Era comum a utilização de fogos pelo grupo.
- A banda comprou um sinalizador proibido.
- O extintor de incêndio não funcionou.
- Havia mais público do que a capacidade.
- A boate tinha apenas um acesso para a rua.
- O alvará fornecido pelos Bombeiros estava vencido.
- Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros.
- 90% das vítimas fatais tiveram asfixia mecânica.
- Equipamentos de gravação estavam no conserto.
Infográfico: tragédia de Santa Maria - 29/01 (Foto: Editoria de Arte/G1)


tópicos:

fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/01/policia-pede-prorrogacao-de-prisao-de-socios-de-boate-e-musicos-diz-mp.html